• Luciane Rangel

Jessica Jones - finalmente, temos a 2ª temporada!



A segunda temporada de Jessica Jones estreou na Netflix no último dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e não poderiam ter escolhido data mais significativa para isso. Além da protagonista feminina (e dona da p***a toda), o seriado conta com roteiro, produção e direção de mulheres, um elenco majoritariamente feminino e com muito, mas muito girl power.


Neste retorno, tão esperado pelos fãs, mergulhamos no passado da protagonista. Ao final do primeiro ano, vimos Trish Walker empenhada em investigar a respeito do acidente da irmã adotiva e da forma como ela adquiriu seus poderes. Agora, a apresentadora está ainda mais obcecada nessas buscas, especialmente ao descobrir que houve um lapso de 20 dias “inexistentes” entre a data do acidente e a entrada de Jessica no hospital. Jones, de início, repele a ideia (como já é o seu padrão), mas alguns acontecimentos acabam obrigando-a a enfrentar os seus próprios demônios para descobrir mais a respeito do passado que ela tanto deseja enterrar de vez.


E é exatamente este, o passado, que figura como antagonista da história. Passamos muitos episódios a especular, sem sucesso, quem seria o verdadeiro inimigo da vez, e isso pode decepcionar a grande parcela do público que espera por um vilão “clássico” (especialmente depois de uma temporada marcada pelo cativante Killgrave) A série continua a se mostrar muito mais com seu foco investigativo do que o de pancadaria (embora esta também exista). Talvez este seja, aliás, o grande trunfo de Jessica Jones. Ao contrário de outras séries da Marvel, em alguns momentos podemos até mesmo vir a esquecer do fato de ela ser uma super-heroína tamanho é o realismo de suas ações, seus pensamentos, seus acertos e suas falhas.



Se a segunda temporada superou a primeira? Acho difícil que tenha conseguido. A falta de definição a respeito do vilão, a trama estendida um pouco além da conta (são 13 episódios, quando talvez apenas uns 8 já desse conta da história) e a falta da simpatia irritante do Killgrave (apesar de ele dar o ar da sua graça em um episódio, amém por isso!) foram questões que tiraram alguns pontos. Porém, a temporada se sustenta tendo como auge o mesmo fator que a consagrou na primeira fase: a humanidade dos personagens. Dessa vez, vemos mais da jornada de Trish, Jeri e Malcolm, que são bem trabalhados em suas complexidades. Além disso, continua abordando temas importantes como abuso (tanto sexual quanto emocional e familiar), machismo, assédio, drogas, violência contra a mulher e tantos outros.



As atuações, novamente, não deixam a desejar. Kristen Ritter (Jessica) mantem-se tão perfeita para a personagem quanto na primeira temporada. Rachel Taylor (Trish) desta vez teve mais espaço para apresentar as camadas e nuances de sua personagem (particularmente, a achei terrivelmente irritante em diversos momentos. Porém, isso fez todo o sentido dentro do contexto de sua história). Eka Darville (Malcolm) evoluiu bem em um arco de superação do personagem, que, ironicamente (dado o seu status de “vizinho drogado” no ano anterior) mostrou-se por vezes o mais são e equilibrado dentre todos que pareciam ir aos poucos enlouquecendo ao seu redor.


Carrie-Anne Moss (Jeri) foi um dos grandes destaques. A advogada sem alma mostrou-se mais humana do que nunca. Um destaque negativo para a personagem foi o fato de ter sido praticamente esquecida em determinado ponto da série, retornando apenas alguns episódios depois. Já Janet McTeer (Alissa), teve a missão de representar um papel que demorava bastante para mostrar a que veio, mas conseguiu brilhar com uma personalidade psicótica. David Tennant (Killgrave, o vilão que amamos odiar) teve uma participação curta, mas extremamente necessária para nos permitir conhecer melhor as fraquezas e temores de Jessica.




O segundo ano de Jessica Jones pode não ter sido tão impecável quanto o primeiro, mas conseguiu manter o nível de uma ótima série e ainda deixa, ao final, a esperança de uma terceira temporada com tanto Girl Power quanto as duas primeiras. É aguardar e torcer por isso.



Luciane Rangel é escritora, autora dos livros Destinos de Papel e Contando Estrelas, publicados pela Qualis Editora.

Leitora tracinha, dobradora de papel, geek, dorameira, jedi, lufana, além de Sailor nas horas vagas.


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