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Trechinho de O Que Eu Sei de Mim - Vanessa de Cássia


Gosta de drama? De livros que provocam diversas emoções no coração?

Então vem conhecer um trechinho de O Que Eu Sei de Mim, da diva Vanessa de Cássia:

Enquanto tentava fortemente evitar chorar mais uma vez ao que não aconteceria com a gente , senti um pingo d’água no rosto e daquela vez não eram as lágrimas que insistiam em cair toda vez que pensava nela, era apenas chuva. Como se o céu chorasse a minha perda, a dor que ainda rasgava dentro do peito sofrido. A alma devastada que nunca se curaria... Fitei o céu quase agradecida pela distração. Como sempre, estava preparada ao sair de casa, por ter me acostumado ao fato de São Paulo ser uma cidade bipolar no tempo. Peguei meu guarda-chuva, que deixei encostado no muro, e o abri para me cobrir da chuva. Na mesma hora senti algo vibrar perto de mim e, logo em seguida, tomei um susto tremendo quando alguém entrou debaixo dele comigo. Virei-me para ver quem era o desaforado, mas fiquei muda diante daqueles olhos sensíveis, a boca aberta em um O de espanto, fazendo-me acreditar que eu era uma assombração. Pensei até em tirá-lo dali, sair de perto daquele desconhecido, mas seus olhos tinham algo que me fez acreditar que ele era do bem. Mesmo sem saber ao certo o que deveríamos dizer um ao outro, confiei na energia que me unia a ele, como se não existissem os centímetros que nos separavam. Segurei com mais firmeza o cabo do guarda-chuva, tentando em vão dar um passo para trás, porém, era como se ele me proibisse de ir para longe. O que era aquilo, meu Deus?! Pensei em mil coisas por segundo antes de dizer algo, mas ele se adiantou. – Oi, moça! Desculpa invadir o seu espaço, mas é que não posso molhar isso! – disse de uma vez, assustado. Contive um sorriso e resolvi brincar com ele, deixando-o em uma situação constrangedora. – Hi – Assim que o cumprimentei na minha língua de origem, ele empalideceu. Tentei fazê-lo acreditar que eu não estava brincando, deixando ainda mais carregado o sotaque. – Oh, logo vi que não era daqui... – desculpou-se, encolhendo os ombros. Fingi não entender. – Sorry – disse, acanhado, dando de ombros todo desconcertado. – May I help you? – indaguei, botando ainda mais fogo nessa confusão. Seus encantadores olhos cor de mel brilharam ainda mais, sem graça. Sorri, afetada. – Ah, caralho! – Tentei não arregalar os olhos com seu palavrão, mas ele, sim, o fez. – Droga, você entendeu isso? – Continuei sem expressão, mas por dentro estava gargalhando. Coitado do moço! Enquanto a chuva banhava sem dó os nossos pés e pernas, a água molhando até a metade da minha saia, observei ligeiramente que não havia mais ninguém no jardim do museu. Apenas nós dois, ainda ali, embaixo do guarda-chuva vermelho. – É... Hmm... Bem... I don’t speak English – falou cheio de esforço, dando de ombros, o seu olhar tão perdido quanto o meu. – Sorry... – Deixei um sorriso escapar, e ele parou de respirar por um momento, forçando em seguida o ar a entrar. – Oh, really?! – Ergui uma sobrancelha em sua direção, e ele apertou um pouco mais o seu corpo contra o meu, porque a chuva castigava. E apesar de ser pequena a distância entre nós, eu gostei dele e de toda a malandragem que exalava. – No compreendes... Aff, isso é espanhol, droga. – Revirou os olhos agitados, e só então comecei a observá-lo. Sua boca carnuda se escondia na imensa barba que cobria metade do rosto. Era meio ruiva e parecia macia. Desejei tocar... Entretanto, não movi um músculo sequer, até apertei meus dedos no cabo que segurava para evitar fazer uma burrice. Mantive-me longe dele. E apesar do meu desconforto constante, acabei gostando da forma como ficou nervoso perto de mim, tal qual um menino diante do primeiro encontro. – Ah, quer saber? Desculpa, princesa, não imaginei que fosse gringa e mais ainda que eu não fosse calar a maldita boca na sua frente. Sendo que nem entende uma palavra da minha boca desenfreada. – Respirou fundo. – Então tá, desculpa por ter invadido seu espaço, não tive intenção de assustá-la ou qualquer coisa, é que te vi... foi impulso que me trouxe para debaixo do seu guarda-chuva! – confessou, olhando diretamente em meus olhos. Mesmo que eu não entendesse uma palavra, teria admirado sua coragem. Aqueles olhos intensos me prendiam a ele. – E já que não me entende e mesmo assim está me encarando como se entendesse tudo, vou ser sincero, ok? Bem, isso não é dar em cima, porque não sou disso, mas acontece que você é uma mulher tão... tão incrível! Você é linda, uma inspiração divina! Seus olhos são intensos e quentes. Isso é insano, eu sei. Mas não sou um louco, portanto não tenha medo. Sou apenas um escritor, um sonhador... Um montão de loucura me cerca! Julgue-me se quiser. – Gargalhou, e eu estava petrificada com a torrente de palavras que saía daquela boca desconhecida. – Bem, eu adoraria te chamar para tomar um café, mas, porra, eu nem sei fazer isso. E outra, eu não pararia de falar merda, e você nem me entende... Não saberá responder cada questão idiota que falei. Bom, desculpa mais uma vez e bye bye – ele falou, afobado, mas não saiu do guarda-chuva, porque a chuva não dera trégua. Olhei para o seu caderno, e se era importante para ele, como disse instantes atrás quando fez meu coração descompassar por ter dito que era escritor, eu cedi ao seu encanto. Ele disse muitas coisas intrigantes que me fizeram bambear, mas ser escritor... Ah, esse era meu fraco. Ele mal sabia. Minha nossa, eu estava diante de um escritor, crê nisso?! Senti meu corpo todo tremer de emoção. Sorri carinhosamente em sua direção, meu coração esquentando com as suas palavras. E antes que ele pudesse realmente me dar as costas e ir embora, encostei em seus braços. Ainda toda trêmula, um arrepio tomou conta da gente, amarrando nossos destinos para sempre. Foi essa a sensação. E tudo que senti mais cedo, como se tivesse uma energia me puxando, não era nada perto do que tinha me invadido ao tocá-lo. Como se ele tivesse que aparecer na minha vida no momento certo. E o momento era aquele. Tudo havia mudado.

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