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Prólogo de O Monstro em Mim - Nana Simons


Vamos conhecer o início deste romance dark, cheio de sensualidade?

Lá estava eu novamente. Um vestido elegante, cabelo longo em ondas e o sapato perfeito. O que poderia dizer? A Famiglia gostava de festas. Eu tinha retornado de uma viagem para Paris há exatamente quatro horas e, durante todo o voo de volta para a Itália, formei uma linda imagem de que chegaria em casa e simplesmente dormiria por horas. Doce ilusão. Mal passei pela porta quando uma de minhas irmãs mais velhas, Alessa, jogou-se em mim, gritando a respeito de um baile. Sendo como eu era, segui-a para seu quarto e esperei que me arrumasse como sua bonequinha, como sempre fazia. Minha segunda irmã, Anita, gêmea de Alessa, esperava-nos na sala e, como sempre, não compartilhava do nosso entusiasmo. Agora mesmo, olhando em volta do salão e vendo algumas pessoas que eu conhecia por toda minha vida, ou das quais, pelo menos, já tinha ouvido falar, não entendia o tédio da minha irmã. Crescer na máfia não era um mar de rosas, mas foi o que o destino nos reservou, então, eu era grata e sorria por isso. Na maioria das vezes era até legal enxergar nosso modo de vida nos filmes e documentários. As pessoas glamorizavam nossa cultura sem nem saber o que realmente existia por trás das belas tomadas de Hollywood. Na primeira vez em que assisti a um filme sobre a máfia italiana, perguntei-me quem poderia ter passado aquelas informações para os roteiristas e produtores. Na internet, todos ficavam em êxtase, animados e desejando fazer parte da nossa sociedade. Foi quando percebi que alguns enfeites e a maquiagem que a indústria passou mostraram uma ficção absurdamente diferente da nossa realidade, principalmente o que concernia a tudo ao que nós, mulheres, tínhamos que nos submeter. Era uma cultura muito diferente, e, nela, cada um tinha seu papel definido; ou você lutava para fazer dar certo, ou sua vida seria um inferno total. O direito do “sim” e “não” nos era tirado assim que o médico dizia aos nossos pais se seríamos meninos ou meninas. Não existia glamour nos meus dias. Existiam regras, punições, leis que não podiam ser quebradas e instruções de como ser uma dama perfeita. Com toda a certeza, “O Poderoso Chefão” não nos representava. Nem “Os Bons Companheiros”. — Irmã? Você está dormindo aí? — Olhei para frente, para os belos olhos verdes de Alessa, percebendo que estava divagando até ela me sacudir. — Desculpe, eu me distraí. — Sorri. — Já estão anunciando o ponto alto da noite. — Ela sorriu, batendo palmas levemente, fazendo Anita bufar ao seu lado. — Sim, vamos lá, estamos ansiosas para sermos vendidas como vacas. — Revirou olhos verdes, idênticos aos da irmã. — Bois — retrucou Alessa, fazendo Anita franzir a testa. — O quê? — Você quis dizer, vendidas como bois. — Não, eu quis dizer exatamente o que eu disse. — O ditado está errado, você não pode mudar só porque somos mulheres. — Alessa, quem se importa? É só um ditado — Anita sussurrou, claramente perdendo a paciência. Um sorriso brincava em meus lábios, enquanto observava minhas duas belas irmãs fazendo o que elas mais adoravam fazer: discutir. Fosse por muito ou por pouca coisa, às vezes sequer precisavam de um motivo. As duas se pareciam tanto fisicamente, principalmente os olhos verdes e os cabelos escuros, mas tinham personalidades completamente diferentes uma da outra. De onde eu estava sentada, conseguia uma boa vista de Lorenzo e Bernardo; meus irmãos mais velhos estavam conversando com nosso pai e com mais dois homens. Olhei de volta para minhas irmãs e sorri mais ainda, pois não importava onde eu estava, tinha uma família de verdade além da Famiglia, e eles sempre estavam lá para me lembrar disso. Papai e Lorenzo eram distantes, mas eu me forçava a acreditar que ainda tínhamos um elo. Alessa e Anita não pensavam da mesma forma, mas eu sempre tive fé demais. — Senhoras e senhores, gostaria da atenção de vocês por alguns minutos — a voz veio do palco, onde Marco Berlot se mostrava todo sorridente. — Como sempre, é um prazer estar com vocês nesta linda noite, todos são bem-vindos. — Houve uma pausa para alguns aplausos, e ele logo voltou a falar: — Nossas festas sempre são agradáveis, mas muito ansiei por esta data em especial. Nesta noite, apresentaremos a vocês as jovens solteiras mais adoráveis de nossas famílias! Homens descomprometidos, vocês estão liberados para dar o maior lance por uma bela dama com quem quiserem um jantar... — Suas palavras foram cortadas quando a atenção dos convidados se dirigiu à porta de entrada do salão. E com razão, pois ninguém menos do que Lucca DeRossi havia acabado de chegar. Durou apenas um momento, mas eu juro que pude ouvir suspiros por onde ele passou. Todos logo voltaram a fingir se concentrar, e Marco deu continuidade ao seu discurso. Forcei-me a focar nas palavras dele, mas simplesmente não conseguia desviar o olhar de Lucca. Provavelmente não fui a única, uma vez que era impossível não perceber o clima tenso que se espalhara pelo local. De fundo, conseguia ouvir Marco chamando as meninas, destacando o sobrenome de suas famílias. Mas meu foco ainda permanecia em Lucca, enquanto ele se sentava com seus irmãos na mesa mais distante do palco e acendia um cigarro. Seus soldados se posicionaram atrás de sua cadeira, prontos para arriscarem suas vidas por seu chefe, caso fosse necessário. Seus irmãos falavam algo, mas ele simplesmente acenava ou elevava o queixo, analisando todo o lugar sem expressar qualquer reação. Lucca não possuía uma boa reputação, e eu não sentia tesão nele ou algo parecido; aquele homem apenas me intrigava, pois tudo que sabia sobre ele, ouvi das pessoas do nosso círculo social, e não se tratavam de coisas boas. Mas eu também não era cega. Podia ser uma virgem, mas conseguia reconhecer quando via algo bonito, e Lucca, sendo alto, forte e com um rosto certamente esculpido por anjos, tinha uma aparência impressionante. Nem mesmo quando minhas irmãs foram chamadas no palco eu parei de observá-lo. Não sei se meu olhar foi tão intenso como eu imaginava, mas ele eventualmente olhou para mim. Seus olhos azuis como céu, frios e distantes, cortaram diretamente os meus. Um arrepio passou por meu corpo, e eu rapidamente desviei. Mas ainda sentia seu olhar me queimando como fogo. Forcei-me a concentrar em outra coisa, mas tudo o que consegui foi focar em meu prato, pedindo silenciosamente que conseguisse entrar nele e virar parte daquele molho. Minutos depois, minhas irmãs voltaram para a mesa. Anita estava irritada, e Alessa, com um sorriso brilhante, que vacilou um pouco ao ver sua outra metade. — Ella, por que ele não te chamou? — Alessa questionou. Anita pareceu sair de seus devaneios e arregalou os olhos, inclinando-se em minha direção. — Oh, meu Deus! É verdade, papai te disse algo? — Eu franzi a testa, confusa e impressionada por não ter me dado conta de que não fui a leilão. Todas as meninas jovens da Famiglia eram obrigadas a participar. Eles faziam parecer que era nossa maior honra estar em cima do palco e arrecadarmos dinheiro para jantarmos com um associado ou “amigo” da máfia. Tive o meu primeiro aos dezesseis anos e achava algo inocente, pois nossa função era apenas sentar à mesa com quem nos alugou para o jantar e ouvi-los falar. Éramos como enfeites. — Ele encerrou os lances? Quer dizer, não há mais ninguém para subir ao palco? — Não! Todas já foram. — Alessa tinha uma expressão indignada. — Quem ele pensa que é para excluir uma Bonucci? — Anita assentiu, concordando. — Eu odeio essa merda, mas ele não pode simplesmente esquecer de você. Eu vou castrar o fi... — Anita, controle-se e não faça uma cena. — Nós três nos viramos para ver nosso pai bem atrás de mim. Ele me lançou um olhar incerto e estendeu a mão. Eu a peguei, hesitante, e me levantei. Logo estávamos andando em direção a um comprido corredor. Passamos por todo o caminho até que ele parou em frente a um soldado, que abriu a porta e esperou que nós entrássemos. Antes disso, virei-me para meu pai, preocupada e ansiosa. — Papa, o que há de errado? Ele balançou a cabeça e fez sinal para a porta. — Apenas entre. — Eu respirei fundo e entrei. Dentro da sala, olhei para os rostos ali e soube, naquele momento, que tudo mudaria.

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